54 3344.1293
SISTEMA SPC:
CONSULTA RECEITA:
Trabalhadores com qualificao e em idade produtiva caram no desalento
Trabalho
11.Fevereiro
A saga da procura por emprego
Desde que o Brasil entrou oficialmente em recesso, em 2014, o desalento - quando o trabalhador desiste de procurar emprego simplesmente por achar que no vai mais conseguir encontrar uma vaga - subiu a pirmide social. O nmero de trabalhadores com maior nvel de escolaridade que entrou nessa categoria aumentou exponencialmente. No terceiro trimestre do ano passado, o total de pessoas que estudaram por 10 anos ou mais (que o equivalente a ter ao menos iniciado do o Ensino Mdio) e tinham parado de buscar trabalho era de 1,66 milho, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domiclio (Pnad) Contnua. No terceiro trimestre de 2014, esse nmero era de 394 mil pessoas. Isso quer dizer que mais de 1,27 milho de trabalhadores bem qualificados, em plena idade produtiva, caram no desalento de 2014 at setembro do ano passado, pelos nmeros da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE), compilados pela consultoria IDados. Em 2012, o primeiro ano da Pnad, os trabalhadores com maior formao eram 26% dos desalentados. Agora, eles j chegam a 35%. O percentual de brasileiros mais escolarizados que desistiram de buscar um emprego comeou a crescer em 2015 e avanou sete pontos percentuais em apenas trs anos. Segundo especialistas, esse movimento ruim porque indica que, mesmo as pessoas com maior qualificao, esto pessimistas com o mercado de trabalho. Um dos motivos para esse desnimo que, na sada da recesso, as vagas de emprego criadas so, em sua maioria, de baixa remunerao, muitas vezes informais - foi isso que sustentou a pequena queda da taxa de desemprego no ano passado. Puxada exatamente pelo aumento da informalidade, a desocupao caiu de 13,1%, no incio do ano, para 11,6%, no fim de dezembro. Alm disso, como esses trabalhadores que acumularam anos de estudo tinham salrios maiores antes do desemprego, quando o desalento chega a esse grupo, a renda familiar mais prejudicada, analisa Bruno Ottoni, da IDados. "So pessoas mais qualificadas e com um padro de vida melhor, que desistiram em algum momento de procurar emprego." Por estarem em uma situao mais frgil no mercado de trabalho, ganharem menos e estarem mais sujeitos a perder o emprego, os brasileiros com menor formao ainda so a maioria em situao de desalento, mas a presena deles entre os que desanimaram de procurar uma vaga caiu de 73%, no terceiro trimestre de 2014, para 65% no terceiro trimestre do ano passado. "Cansei de esperar o mercado melhorar", resume a engenheira Adriana Mello, de 28 anos. "Parece que agora est mais fcil de arrumar um emprego, mas s parece. No voltei a procurar o dia inteiro, como fazia antes, porque as vagas que aparecem tm remunerao de R$ 3 mil, quando o piso trs vezes mais. Querem que voc tenha as mesmas responsabilidades de antes, sem ganhar o suficiente." Desde que Adriana perdeu o emprego, em maio do ano passado, ela passou a usar o tempo livre para fazer cursos e melhorar o ingls. Mas as contas, que eram divididas com o marido, pesam mais. "De 2015 para c, o mercado piorou. Quem ganhava R$ 7 mil, agora topa ganhar R$ 3 mil. E quem pode esperar, aproveita para voltar ao mercado com mais formao." O nmero de desalentados com maior formao deve cair lentamente, j que, na sada da crise, as vagas que tm surgido so de remunerao mais baixa. "Ele faz parte da fora de trabalho potencial", explica o economista Bruno Ottoni, pesquisador da consultoria IDados. "Em geral, o desalento cresce em um mercado de trabalho que no est funcionando direito. E na sada da crise, o nmero de pessoas nessa situao cresce porque as poucas vagas que reapareceram no mercado agora pagam pouco." Ele lembra que o trabalhador, muitas vezes, acaba preferindo ficar em casa ou comear a fazer algum curso, fica mais ou menos em um compasso de espera at que surjam oportunidades. O engenheiro Diogo Dutra da Silva, de 29 anos, est fora do mercado de trabalho desde a concluso das obras de um edifcio na Zona Leste de So Paulo, em 2017. "Trabalhava em uma construtora que viu as obras rarearem durante a crise. Em 2015, comeou a diminuir a quantidade de projetos e o nmero de funcionrios da empresa. Quando o prdio ficou pronto, perdi o emprego." Ele concorda que as vagas que surgiram entre o ano passado e o incio de 2019 tm remunerao baixa demais, a ponto de compensar esperar mais um pouco. "Sempre fui de gastar pouco e durante o perodo de emprego farto, guardei dinheiro. Essa poupana me ajuda agora a no precisar aceitar qualquer vaga que for aparecendo", diz. No final do ms passado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE) divulgou que os brasileiros que caram no desalento atingiram mdia de 4,736 milhes - 13,4% acima de 2017. Nessa conta, entram os que se achavam jovens ou idosos demais, pouco experientes ou acreditavam que no encontrariam uma boa oportunidade de trabalho. "Tem gente que j consegue encontrar o trabalho com carteira assinada mais facilmente do que h alguns meses, mas as condies nem sempre so boas. Se a pessoa pode esperar mais um pouco para conseguir um emprego mais prximo de suas expectativas, ela acaba se virando, conta com as economias ou ajuda de parentes e espera", concorda o economista da Fundao Instituto de Pesquisas Econmicas (Fipe) Eduardo Zylberstajn. A expectativa do economista do Insper Renan de Pieri de que o Pas gere mais empregos este ano do que em 2018, quando o desemprego cedeu apenas timidamente, e fechou o ltimo trimestre em 11,6% - ante 13,1% do incio do ano passado.

Fonte: Jornal do Comrcio

ACISAT Empregos

Para ser notificado imediatamente que uma nova vaga de emprego inserida no sistema da ACISAT, receber mensagem das empresas e da Acisat no CHAT, aviso que seu currculo foi pr-selecionado ou que no foi selecionado e muito mais, basta baixar em seu smartphone o Aplicativo ACISAT, e depois logar o seu currculo no aplicativo.

Copiryght © 2019 Todos os direitos reservados - ACISAT ASSOCIAÇÃO COMERCIAL INDUSTRIAL DE SERVIÇOS E AGRONEGÓCIOS DE TAPEJARA. acisat@acisat.org.br
Desenvolvido por